5 de Junho de 2009
“Hoje não se pode dizer que faltem recursos na área de ciência e tecnologia no País.” A afirmação é de Fernando Ribeiro, diretor de Administração e Finanças da FINEP. Em meio à desestabilização econômica e às dificuldades generalizadas de crédito, ele lembra que o investimento em inovação tecnológica por parte das empresas pode ser uma saída para a crise e uma porta de entrada para outro patamar de desenvolvimento. “O que falta é aprimorar as articulações institucionais e a circulação de informações para que esse apoio disponível seja cada vez mais abrangente e a inovação entre de fato na agenda nacional”, diz ele, lembrando que, em 2008, a FINEP operou um orçamento de R$ 2,6 bilhões, entre financiamentos reembolsáveis e não reembolsáveis concedidos.
As declarações foram feitas durante o lançamento da etapa Norte do Prêmio FINEP de Inovação, nesta quinta (4), em Palmas (TO). Este ano serão oferecidos aos vencedores R$ 29 milhões em financiamentos pré-aprovados.
A programação incluiu um Fórum Regional de Inovação, no auditório da Fecomércio - Federação do Comércio. Durante o evento, o presidente da FIETO – Federação das Indústrias do Estado do Tocantins, Eduardo Machado, afirmou que ainda é pouca a participação das empresas do estado no acesso a recursos de apoio a pesquisa. “A sustentabilidade econômica só é possível inovando, e as oportunidades da FINEP oferecem um ganho de competitividade que é fundamental que os nossos empresários conheçam”, disse. Mas já há medidas sendo tomadas. “Estamos estruturando mecanismos e caminhando para um modelo de organização que nos permita um maior acesso aos recursos”, disse o superintendente do IEL/TO, Carlos Wagno Milhomem, em reunião preparatória para o evento.
O secretário de Ciência e Tecnologia do estado, Osmar Nina Garcia, representando o governador Marcelo Miranda, anunciou no Fórum os planos de criação de um pólo tecnológico na região, mas disse que ainda é preciso qualificar melhor a mão de obra local e estimular os empresários a investir em pesquisa. “É importante que os estudos não fiquem nas prateleiras das universidades e efetivamente cheguem ao mercado”, disse, considerando o Prêmio FINEP um estímulo a essa atuação integrada.
O professor da Universidade de Tocantins Waldecy Rodrigues promoveu uma reflexão sobre os desafios dos sistemas regionais de inovação. O apoio governamental seria um fator determinante de sucesso. Segundo ele, a liberalização do comércio internacional não é suficiente para criar uma economia competitiva e inovadora. “É preciso também que os governos desenvolvam políticas que propiciem um ambiente oportuno à inovação”, disse. Citando algumas estatísticas, Waldecy lembra que a produção nacional de artigos cresceu 795% entre 1981 e 2006, mas os depósitos de patentes ainda são escassos. Em 2007, o País depositou nos Estados Unidos 385 patentes e, no mesmo ano, a Coreia depositou 23.589 e o Japão, 79.725. Em termos de dispêndio em pesquisa e desenvolvimento, enquanto esses dois países investem mais de 3% de seu PIB, o Brasil ainda está na casa do 1%.
O fórum também teve apresentações de dois cases vencedores do Prêmio FINEP de Inovação: as amazonenses Fundação Paulo Feitoza e Fucapi – Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica. Ambas destacaram a visibilidade obtida com o Prêmio, além das oportunidades de negócios que vieram dessa exposição e dos contatos feitos durante o processo.
O “Novo padrão de desenvolvimento pós-crise” foi o tema da palestra de encerramento, feita pelo jornalista Luis Nassif. Após fazer um apanhado da história econômica do Brasil, declarou, otimista, que “o País está pronto para dar um grande salto”.
Após o fórum, a bailarina carioca Flávia Tápias apresentou o espetáculo “5 coreógrafos e 1 corpo”, encerrando o evento de lançamento, organizado em parceria com o IEL Tocantins, entidade do sistema FIETO – Federação das Indústrias do Estado de Tocantins.